Unidade em Três Dobras

quarta-feira, 2 de julho de 2008

O conceito de infidelidade

O conceito de infidelidade, embora também existente entre os índios, é tratado com muito mais condescendência do que entre nós, o que pressupõe uma compreensão maior das necessidades sexuais humanas. Um exemplo disto é o fato de existirem diferentes tipos de casamentos, que implicam em contratos diferenciados. O casamento considerado comum entre os Kayapós, por exemplo, ocorre quando ambos os noivos já são iniciados sexualmente. Promove-se uma festa na qual rapazes e moças formam semicírculos de fronte uns para os outros. A pajé (mulher) manda a moça escolher um marido. Ela então indica o rapaz de sua preferência. Neste tipo de relacionamento não há obrigação de fidelidade conjugal para nenhum dos dois, até que resolvam consolidar o casamento com um filho. É uma espécie de casamento experimental. As mulheres kayapó com o casamento consolidado são respeitadas ou poupadas. Mas, ainda assim, os casais com filhos podem trocar de parceiros se houver uma sólida amizade: o amigo dele será chamado de ikamu (irmão) e a amiga dela será inikiê (irmã). A troca é anunciada publicamente pelos dois para dar uma satisfação à sociedade. Isto demonstra uma maturidade social muito maior do que o nosso adultério às escondidas (que ocorre apenas porque não admitimos a necessidade natural da poligamia). Os ikamu se despedem dos companheiros, indo para a casa do amante. A experiência pode durar meses. , embora também existente entre os índios, é tratado com muito mais condescendência do que entre nós, o que pressupõe uma compreensão maior das necessidades sexuais humanas. Um exemplo disto é o fato de existirem diferentes tipos de casamentos, que implicam em contratos diferenciados. O casamento considerado comum entre os Kayapós, por exemplo, ocorre quando ambos os noivos já são iniciados sexualmente. Promove-se uma festa na qual rapazes e moças formam semicírculos de fronte uns para os outros. A pajé (mulher) manda a moça escolher um marido. Ela então indica o rapaz de sua preferência. Neste tipo de relacionamento não há obrigação de fidelidade conjugal para nenhum dos dois, até que resolvam consolidar o casamento com um filho. É uma espécie de casamento experimental. As mulheres kayapó com o casamento consolidado são respeitadas ou poupadas. Mas, ainda assim, os casais com filhos podem trocar de parceiros se houver uma sólida amizade: o amigo dele será chamado de ikamu (irmão) e a amiga dela será inikiê (irmã). A troca é anunciada publicamente pelos dois para dar uma satisfação à sociedade. Isto demonstra uma maturidade social muito maior do que o nosso adultério às escondidas (que ocorre apenas porque não admitimos a necessidade natural da poligamia). Os ikamu se despedem dos companheiros, indo para a casa do amante. A experiência pode durar meses. Nas sociedades indígenas brasileiras, as mulheres se igualam aos homens em todos os sentidos. As restrições a certos tipos de atividades possuem raízes mitológicas apenas, e estão relacionadas ciclicamente a lendas e rituais. Outro exemplo interessante é dos Wáiwái, Parikotó e Taruma. Em determinada época do ano os homens têm de abandonar a aldeia "porque suas esposas ficam brabas". Elas se tornam mulheres guerreiras: pintam-se e usam adornos e armas. Depois os homens aproximam-se desarmados tocando flautas e muito bem enfeitados como se viessem de regiões longínquas. As guerreiras os recepcionam. Eles exibem-se com danças e competições para mostrar vigor e serem escolhidos como amantes. Mais tarde elas oferecem presentes e, então, eles vão embora. A poligamia também acontece em algumas tribos, como, por exemplo, a dos Yanomami, que praticam a poligamia normalmente com a irmã ou prima da esposa.Fonte: O Amor Entre os Índios. Geográfica Universal, nº 240, Jan/1995. Bloch Editores, Rio de Janeiro - RJ.