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sexta-feira, 4 de julho de 2008

Cresce número de mulheres que iniciam vida sexual antes dos 15 anos

Cresce número de mulheres que iniciam vida sexual antes dos 15 anos
Em dez anos, o índice subiu de 11% para 32,6%, segundo estudo.Pesquisadores ouviram 15 mil mulheres em idade fértil e 5 mil crianças em todo país.

Em dez anos, mais mulheres decidiram ter relações sexuais mais cedo, segundo a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher de 2006 (PNDS), divulgada nesta quinta-feira (3).

O estudo foi financiado pelo Ministério da Saúde e realizado com cerca de 15 mil mulheres em idade fértil (15 a 49 anos) e 5 mil crianças com até 5 anos, entre novembro de 2006 e maio de 2007. A PNDS foi realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope ), a partir do trabalho do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) com instituições parceiras. De acordo com o estudo, em 1996, 11% das entrevistadas informaram ter tido a primeira relação até os 15 anos. Dez anos depois, esse índice subiu para 32,6% das mulheres. Nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, 74% tiveram a primeira relação antes dos 20 anos. O total de jovens entre 15 e 19 anos que se declararam virgens caiu de 67,2% em 1996 para 44,8% em 2006. Ainda segundo a pesquisa, 64% das mulheres se encontram em união (36,7% formalmente e 27,3% informalmente), sendo apenas 25,8% solteiras.
Fecundidade
A precocidade na vida sexual resultou no rejuvenescimento do padrão reprodutivo. Em 1996, a média de idade das mulheres para o primeiro filho era de 22,4 anos. Em 2006, essa média passou a ser de 21 anos. O percentual de meninas grávidas aos 15 anos também subiu, passando de 3% para 5,8%. A fecundidade, no entanto, segundo a PNDS, localiza-se em níveis bastante baixos. Considerando o comportamento reprodutivo dos 36 meses anteriores à data da entrevista, a pesquisa indica que a taxa de fecundidade total localiza-se em torno de 1,8 filhos por mulher. Existe pouca diferenciação se considerado o local de residência, se urbano ou rural. Nestes casos, a taxa é de 1,76 e 1,99, respectivamente.
Acesso a contraceptivos
A PNDS aponta que a distribuição gratuita de métodos contraceptivos aumentou nos últimos dez anos. Nesse período, o percentual de mulheres que recorreram ao SUS para adquirir pílulas anticoncepcionais subiu de 7,8% para 21,3%. A informação sobre a realização ou não do pré-natal não pôde ser obtida para 15 dos 5.056 bebês nascidos vivos. Dentre as 5.041 gestações para as quais esta informação foi obtida, em apenas 1,3% nenhuma consulta de pré-natal foi realizada, sendo o maior percentual encontrado na Região Norte (3,9%), e o menor no Sudeste (0,2%).

No entanto, a realização de no mínimo seis consultas de pré-natal, conforme estabelecido pelo Ministério da Saúde, ocorreu apenas em 77% das gestações. A melhor situação foi registrada na Região Sudeste (84,7%) e a mais insatisfatória na Região Norte (61%). Conforme esperado, o acesso ao pré-natal foi maior no meio urbano do que no rural, tanto na proporção de mulheres que não realizaram nenhuma consulta (0,8% no meio urbano e 3,6% no meio rural), quanto na realização de pelo menos seis consultas (80% e 66%, respectivamente).
Mercado de trabalho
No que diz respeito à situação da mulher no mercado de trabalho, com exceção das menores de 20 anos, mais de 75% delas já haviam tido algum tipo de trabalho. No entanto, para o total do país, apenas 54,2% das mulheres em idade reprodutiva declararam estar trabalhando no momento da entrevista.

O baixo nível de formalização do trabalho também é um problema enfrentado pelas mulheres, já que apenas 34,5% de todas as mulheres que trabalhavam na época da entrevista ou tinham trabalhado nos 12 meses anteriores à pesquisa tinham registro em carteira assinada. As mulheres menos escolarizadas foram as que, em maior proporção, nunca trabalharam ou não trabalharam no ano de referência; apresentaram uma menor proporção dentre as que estavam trabalhando no momento da pesquisa e as que apresentam o menor percentual de trabalho com carteira assinada.

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